Obesidade afeta um em cada cinco brasileiros e aumenta risco de doenças graves

Escrito por em 06/03/2020

O comunicador Luciano Beregeno, 51 anos, morador de Brasília, é um dos milhões de brasileiros que já sofreram com a obesidade, doença que afeta quase um quinto da população, segundo o Ministério da Saúde. Há 10 anos, quando ele pesava 125 quilos, foi diagnosticado com um linfoma, tipo de câncer que ataca órgãos e tecidos que produzem as células responsáveis pela imunidade do organismo. “Quando eu terminei a quimioterapia, o médico me alertou que eu precisava tratar a obesidade porque ela é um fator de risco que pode levar à reincidência do câncer”, conta.

“Alguns tipos de câncer são relacionados à obesidade. Ela diminui a expectativa de vida da pessoa e aumenta a mortalidade. É um problema de saúde pública que acomete grande parte da população brasileira. Então, é importante a gente identificar e tratar a obesidade”, alerta a endocrinologista e diretora médica da Novo Nordisk, Priscilla Mattar.

Além do câncer enfrentado por Luciano, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Saúde Metabólica (ABESO) alerta que pessoas com obesidade têm mais chances de desenvolver pressão alta, problemas respiratórios, diabetes tipo 2 e complicações cardiovasculares, como insuficiência cardíaca, infartos e AVC.

Arte: Ítalo Novais/Sabrine Cruz

Perigos

Em busca do corpo perfeito, os brasileiros têm colocado em risco a própria saúde ao seguirem tratamentos e dietas “milagrosas” para emagrecer, comumente encontrados na internet e nas redes sociais. Essa prática, segundo especialistas, é perigosa porque a alimentação não é o único fator causador da obesidade.

“O que é importante é fazer o diagnóstico. A gente recomenda a busca por um profissional especializado, que consegue dar suporte ao paciente. Não é um tratamento simples. A obesidade pode ser causada por várias coisas diferentes. Tem alguns distúrbios psicológicos e até fatores genéticos que podem causar o diagnóstico. O estilo de vida moderno também propicia a obesidade”, esclarece a endocrinologista Priscilla Mattar.

A especialista reforça ainda que a orientação de médicos e psicólogos durante o tratamento da obesidade evita que a condição física interfira, por exemplo, na autoestima e no processo de acompanhamento do paciente. “Isso é importante até para tirar o peso das costas da pessoa com obesidade. Ela costuma sentir culpa pelo estado em que está, mas a gente sabe que não é algo para se culpar. Na verdade, é uma doença crônica, assim como um diabetes ou uma hipertensão”, completa Priscilla.

Como forma de prevenir a obesidade, principalmente entre crianças, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere o consumo de alimentos como arroz, trigo e batatas, combinados com legumes, vegetais frescos, frutas e alimentos de fonte animal. A dica é dar preferência para alimentos integrais, que contêm grande fonte de fibras e aumentam a saciedade.

É recomendado reduzir a ingestão de alimentos com alto teor de açúcar, sal e gorduras, substituindo por vegetais crus, nozes sem sal e frutas secas, por exemplo. A OMS orienta ainda que a dieta diária deve incluir carnes brancas e alimentos naturais cozidos ou assados, em vez de fritos.

Além de uma alimentação balanceada, a endocrinologista Priscilla Mattar aponta que a prática de exercícios físicos, ao menos três vezes na semana, contribui para diminuir os riscos da obesidade.

Exame gratuito

Para alertar e reforçar a conscientização da população sobre essa doença crônica que é um dos maiores desafios da saúde pública global, o Dia Mundial da Obesidade será lembrado, pela primeira vez no mundo todo, em 4 de março.

Arte: Ítalo Novais/Sabrine Cruz
Arte: Ítalo Novais/Sabrine Cruz

Fonte: Agência do Rádio


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