Memória: a primeira – e frustrante – participação paranaense na Copa do Brasil

Escrito por em 04/02/2020

Começa nesta quarta-feira (5) a Copa do Brasil, a competição mais democrática e valorizada do nosso futebol. Democrática porque reúne 80 clubes – alguns que a gente nunca ouviu falar – e valorizada porque distribui um dinheiro nervoso. Passar da primeira fase já resolve a vida de muita gente. Mas nem sempre foi assim. Quando o torneio foi criado, em 1989, era uma espécie de entrave para os participantes, mais interessados nos campeonatos estaduais, mesmo que desde sempre valesse uma vaga na Copa Libertadores.

Naquela primeira edição, foram 32 equipes – os campeões de 22 estados e os vices de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Ceará e Bahia. Portanto, os times desconhecidos eram minoria, como Ibiraçu-ES e Tiradentes-DF, e mesmo esses eram vez por outra integrantes dos testes da loteria esportiva. A restrição de dois times por estado tirou do torneio times grandes: Botafogo, Fluminense, São Paulo, Palmeiras, América-MG e Santa Cruz.

O dia da estreia paranaense nas páginas do Correio de Notícias de 19 de julho de 1989. Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional

Do Paraná, eram Athletico e Pinheiros os representantes, campeão e vice do Estadual de 1988. Colorado (3º lugar), Londrina (10º) e Coritiba (11º) estavam fora. O calendário como sempre não ajudava, e os jogos da primeira fase da Copa do Brasil de 1989 aconteceram no meio das quartas de final do Paranaense – o Pinheiros tinha sido eliminado, o Furacão seguia na disputa. E mais: jogos de ida aconteceram numa quarta, 19 de julho, e a volta no sábado, 22 de julho. Uma maluquice. Ainda mais para quem tinha que cruzar o País, caso dos nossos times.

Como foi

Na ida, o Athletico foi até Recife. Com Marola, Odemílson, Heraldo e Mazinho Oliveira no time, o Rubro-Negro perdeu por 1×0, gol de Nivaldo. No mesmo 19 de julho o Pinheiros estreou na Copa do Brasil e perdeu no Pinheirão para o Mixto também por 1×0. Naquela equipe estava um jovem atacante, Maurílio, então com 19 anos.

Nas partidas de volta, nada de recuperação. No Pinheirão, o Furacão ficou no 0x0 com o Náutico, com apenas 2.809 pagantes. E em Cuiabá, o Pinheiros perdeu outra para o Mixto, desta vez por 2×1. Terminava assim a nossa campanha na primeira Copa do Brasil. As boas campanhas vieram depois – Coritiba semifinalista em 1991, 2001 e 2009, Athletico nas quartas em 1992, 97, 99 e 2007, Londrina nas quartas em 1993, Paraná nas quartas em 1995, 96, 98 e 2002.

E, claro, as três finais seguidas (Coritiba em 2011 e 2012 e Athletico em 2013) até chegarmos à conquista histórica do Furacão no ano passado. Mas estas, claro, são outras histórias de Copa do Brasil.

Fonte: Cristiano Toledo – Tribuna


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